2001: A odisséia humana da técnica e da política.
O filme 2001 — uma odisséia no espaço, realmente, é uma odisséia e pretendemos analisar esse percurso histórico-humano/técnico proposto por Stanley Kubrick em um único curso de análise: como se fora uma breve ontologia da técnica, diante do percurso inicial da humanização.
Ressaltaremos a idéia do modo de produção como forma de sobrevivência da espécie (incluindo-se o desenvolvimento tecnológico) e a isto chamaremos, como em Marx, de progresso ou de longo processo de hominização. Porém, como uma forma de diferenciar-se do modo de produção em geral, chamaremos de mundo de produção, à maneira de se organizar e de produzir que gerou as primeiras oportunidades reais de sobrevida.
Portanto, o artigo procurará tratar quase que exclusivamente de uma cena do filme — o hominídeo empunhando o osso. Trata-se, assim, não de uma leitura de aproximação do filme, mas sim explicativa em torno do detalhe mais importante: o nascimento da vida social. Trata-se, em suma, de uma visão verticalizada, de profundidade do filme e não horizontal, generalista.
Nesta primeira parte estará em destaque o significado da técnica como princípio do próprio desenvolvimento humano, assim como o significado político do uso da ferramenta, ora como instrumento de vida e de trabalho, ora como instrumento de morte, na guerra.
Deste modo, o gestual do hominídeo brandindo o osso indica essas duas situações, mas também sugere que a técnica é puramente política: iminentemente humana, eminentemente política. É certo que não se procura aqui uma relação política como a conhecemos hoje, aliás um procedimento que só se iniciou por volta do surgimento do homo sapiens sapiens, porque este tinha a clareza do confronto e da eliminação do Homem de Neandertal. Esta que foi nossa primeira grande guerra (como luta política feroz e radicalizada), pois nossa “espécie” nasceria desse primeiro holocausto imposto pela aniquilação total do Neandertal.
Esta fase do domínio e do desenvolvimento da técnica vai se afirmar no Período do Neolítico (quando formulamos a equação técnica+política+arte), há mais dez mil anos, mas há sessenta mil anos o homem já dispunha de instrumentos que realizavam a função de uma pá de escavação, ou seja, com a clara finalidade do uso da técnica da escavação. Assim, ressaltamos simplesmente que a técnica tem uma potência política, desde sempre.
De outro modo, nas cenas iniciais e 2001, o brandir do osso pode ser relacionado à formação de nossa consciência — a consciência de que é preciso abandonar o natural, transformá-lo, modificá-lo, moldá-lo à nossa imagem e semelhança.
Por esse prisma, então, está aí o início da antropomorfização, no gestual da força e da técnica, daquilo que irrompe o fluxo comum: a transformação da natureza na casa do homem, mas uma casa em que as paredes foram postas pelo uso reiterado e crescente da técnica. Aqui oikos (casa em grego) representa a ecologia natural que gradualmente vai se tornando uma ecologia humana e daí em diante será economia ou economia política, quando investigamos a relação entre técnica e poder já no modo de produção primitivo.
Também não há como não ver que está aí a proeminência do poder: o poder de controlar a natureza; o poder de controlar os demais membros e de direcioná-los para esta via evolutiva; o poder de impor uma marca totalmente diferente, alternativa ao curso natural da natureza; o poder de organizar a natureza e de forjar as lascas da sociedade primitiva: um mundo de coisas absolutamente novas que se descortinava.
Esta nossa primeira consciência (se é que se pode dar este nome) e suas descobertas, diríamos que coincidiu com o mundo da produção — o mundo da produção da subsistência do grupo e da espécie, o mundo da produção do que viria a ser a própria espécie: daí se falar em hominização.
De tão marcante na formação das sociedades humanas, o trabalho literalmente vem moldando o que fomos, o que somos e o que seremos. Se há uma natureza humana, pode-se dizer que suas raízes estão fincadas no trabalho e na nossa capacidade de transformar o mundo e modificar a nós mesmos.
Então, esta habilidade de moldar o mundo pelo trabalho e pela técnica (techné para os gregos) é o motor que forjou as primeiras manifestações de poder, uma vez que a chance do sucesso era exatamente usar das ferramentas e das potencialidades do trabalho para aumentar a produção dos meios de vida e alargar as chances de sobrevivência.
Seguindo a tradição mais antiga que tratou dessa questão, chegaremos ao Mito de Prometeu, o Patrono do Trabalho, e pode-se dizer que (para Prometeu) a sabedoria será nossa maior virtude (como conhecimento ) porque a sabedoria está na virtude da moderação (virtú) e na habilidades adquiridas na constância do trabalho. O trabalho que é este fazer-se à medida em que se faz o que tem que ser feito.
Mas por que a sabedoria está no conhecimento e qual a relação com Prometeu e o fato de ser tido como princípio do trabalho?
Só o conhecimento aliado à técnica é capaz de aprimorar as condições de trabalho e isso eleva a produção — o que em si evidencia maiores possibilidades de sobrevivência e de desenvolvimento dos grupos humanos. Isto ocorre especialmente no modo de produção asiático, em que o homem depende totalmente da natureza e dos recursos mais abundantes e facilmente encontrados.
Esse conhecimento aplicado às ferramentas de trabalho (quando se envolvem outras habilidades intelectuais desenvolvidas no próprio manuseio dos instrumentos) equivale — para os antigos — ao que chamamos hoje de tecnologia: a própria ontologia da técnica.
Este conjunto de conhecimento, de técnicas mais refinadas e muita iniciativa — pela necessidade de sobrevivência e, portanto, de trabalho — é o que melhor distingue e explica nosso longo processo de hominização.
Este processo de hominização nada mais é do que a longa história de feitos humanos — na longa linha da evolução — e que nos vieram diferenciando e afirmando como seres humanos: do hominídeo Australopithecus anamensis (4,2 milhões de anos) até nós. Esse “macaco do sul” (Neto, 13 abr. 2006) sinaliza o início de nossa jornada de trabalho e de transformação.
A fase que mais acentuou nossas características de transformação da natureza e de nós mesmos, pelo contínuo esforço do trabalho de desenvolver novas técnicas, é conhecida como Homo habilis ou Homo faber — esta que é justamente a fase indicada por Prometeu, há mais ou menos dois milhões de anos.
Desse modo, pode-se dizer que o processo de hominização já perdura ao menos 4 milhões de anos: do hominídeo ao Homo sapiens sapiens (o homem que sabe que sabe, isto é, capaz de reconhecer o próprio conhecimento acumulado). É por isso que o know how, do inglês, como repetição mecânica de técnicas acumuladas, é tão-somente uma corruptela, uma deturpação do savoir-faire, no francês, como um saber-fazer original e que dá novas origens.
Por isso, também a hominização deve-se ao trabalho, o processo de trabalho que modelou a técnica e a arte (saber) e, por fim, a política. Estes são atributos que gradualmente foram nos tornando seres artificiais em um mundo natural.
Assim, a hominização também nada mais é do que o emprego de técnicas de produção (trabalho) exercidas a fim de atuar e modificar a natureza. E o que de fato separa o homem de tantos outros animais sociais que também trabalham (como abelhas e cachorros selvagens africanos) é que este é um processo inteligente, porque nosso trabalho vivo é intencional e teleológico, isto é, enquanto trabalho pensado, projetado, dirigido, planejado, racional. Enfim, há quanto tempo estamos vindo nesse curso da racionalização?
Portanto, a técnica aqui será considerada como racionalização do trabalho. Neste resumo da fabricação do homem é interessante aprofundar o pensamento clássico sobre nossa “vocação” para o trabalho e para o aprimoramento técnico, artístico e político.
Então, retornemos ao Mito de Prometeu e suas lições sobre a feitura consciente de nosso amplo mundo do trabalho, técnico e de muito conhecimento. Ironicamente, hoje, o que precisamos não é de mais conhecimento, mas sim de consciência para fazer bom uso de tudo o que já temos, sabemos ou fazemos. Isto promove uma clara relação de poder tanto no passado mais remoto (os primeiros líderes foram certamente os “organizadores da caça”), quanto no presente.
Mas, o que fez Prometeu, que crimes cometeu para ser agrilhoado e sofrer os ataques de uma águia que lhe devorava o fígado todos os dias (e que se recompunha à noite), por trinta séculos?
Nas palavras do próprio Prometeu: “Apoderei-me da nascente do fogo que enchia um caule de canafrecha e que se revelou mestra de todas as artes e grande recurso para os mortais” (Ésquilo, 2001, p. 39).
Para Prometeu, o crime maior foi ter revelado o segredo do conhecimento, como se os gregos já conjugassem que “saber é poder”. Na verdade, o poder da cultura que se abria e que poderia ser apropriado por outras pessoas (além da própria elite grega) ou mesmo o temor de que outros povos inimigos se apoderassem das técnicas e do conhecimento. Aliás, foi justamente este o dilema enfrentado pelos Hititas, antes dos gregos, ao verem furtadas as técnicas da forja do ferro — especialmente na construção de armas e de armaduras.
Em diálogo com Corifeu , Prometeu revelou (em sua eterna consciência) que ao entregar o fogo do conhecimento estava abrindo amplas possibilidades de sobrevivência aos homens:
CORIFEU
Teria um coração de ferro e seria feito de pedra quem quer que, ó Prometeu, se não indignasse com as tuas penas
[...] Acaso não foste ainda mais além do que contaste?
PROMETEU
Sim, fiz que os homens deixassem de se preocupar com a morte.
CORIFEU
Que remédio inventaste para essa doença?
PROMETEU
Insuflei-lhes cegas esperanças.
CORIFEU
Grande bem deste aos mortais.
PROMETEU
E além disso — atentai bem — dei-lhes o fogo .
CORIFEU
E agora os efêmeros possuem o fogo ardente?!
PROMETEU
Do qual aprenderão muitas artes
(Ésquilo, 2001, pp. 44-45)
Então, o fogo é vida, é a possibilidade concreta de transformar a natureza, sinaliza para a origem da cultura, da sabedoria, das técnicas de sobrevivência — por isso há uma luta pelo fogo . E mais, para os gregos, o fogo é a origem das artes e das técnicas: “O fogo está, de fato, na origem de todas as artes. Os oleiros atenienses do bem o sentiram, ao celebrarem festas em honra de Prometeu” (Sottomayor, 2001, p. 45, nota 26).
A distinção entre técnica e arte é escassa quando o que hoje chamamos “técnica” está pouco desenvolvida. Os gregos usavam o termo (frequentemente traduzido por ars, “arte”, e que é raiz etimológica de “técnica”), para designar uma habilidade mediante a qual se faz algo (geralmente, transforma-se uma realidade natural em uma realidade “artificial”). A techné não é, contudo, uma habilidade qualquer, porque segue certas regras. Por isso techné significa também “ofício”. Em geral, techné é toda série de regras por meio das quais se consegue algo (Mora, 2001, p. 2820).
As técnicas passadas por Prometeu foram justamente as do trabalho, da remodelagem do mundo natural numa casa humana, daí a sensação de um mundo artificial, pois que veio sendo criado, desde então, como um mundo nosso e o mais diferente possível daquele herdado pelos nossos antepassados. Prometeu fala diretamente sobre a atividade de recriação do mundo, pelo trabalho, a partir do que hoje chamamos de Homo faber:
PROMETEU
Mais te admirarás, quando me ouvires contar o resto: as artes e recursos que inventei
[...] Quem antes de mim, ensinaria a descobrir os bens ocultos debaixo da terra: o bronze , o ferro, a prata e o ouro? Ninguém — bem o sei — se não quiser jactar-se sem fundamento. Numa só frase, aprende tudo, em suma: todas as artes para os mortais vêm de Prometeu
(Ésquilo, 2001, p. 55).
A partir do Homo faber, o homem do trabalho foi capaz de transformar a natureza, a si mesmo e ao entorno social. Como homem do conhecimento foi capaz de agir, pensando. Esta seria a marca da “era dos minerais”, que veio com o fogo. Porém, para Prometeu, qual a real grandeza do conhecimento trazido para o homem, pelo emprego constante das técnicas do trabalho e com o desenvolvimento artístico? Novamente, em diálogo com o Corifeu:
PROMETEU
Ouvi, porém, as desgraças dos mortais e como eles eram pueris antes de eu os tornar inteligentes e senhores da razão [...] A princípio, quando viam, viam falsidades; quando ouviam, não entendiam; e, como as formas dos sonhos, misturavam tudo ao acaso, durante a longa existência; e não sabiam construir casas soalheiras de tijolo, nem sabiam trabalhar a madeira; viviam em antros subterrâneos, como as formigas ligeiras, nas profundidades sem sol das cavernas. E não tinham indício seguro do Inverno, nem da florida Primavera, nem do fecundo Verão; mas faziam tudo sem discernimento, até eu lhes ensinar o enigmático nascer e ocaso dos astros. Também descobri por eles os números, a principal das invenções engenhosas, e a combinação das letras, memória de tudo quanto existe, obreira mãe das musas. E fui o primeiro a por sob jugo os animais , submetendo-os ao cabresto ou aos corpos dos homens, para que sucedessem aos mortais nos trabalhos mais pesados, e atrelei aos carros cavalos dóceis, ordenamento de luxo excessivo. E nenhum outro senão eu inventou para os marinheiros os navios de asas de linho , que vogam pelo mar. E eu, que descobri tudo isto para os mortais — infeliz — não tenho maneira de me libertar do sofrimento presente
(Ésquilo, 2001, p. 54).
Prometeu nos deu a chave da compreensão do mundo, o conhecimento de tudo que era essencial à sobrevivência . Mas também nos deu a sensação de que estamos agrilhoados ao saber e que não há escapatória fora da equação saber=poder. Desde então, só a ignorância é liberta, pois o conhecimento é a derradeira prisão da consciência: submetidos que estamos a esta infindável e inelutável razão instrumental.
Enfim, o mundo da produção foi nosso primeiro modo de produção, basicamente sustentado pela necessidade da sobrevivência, desenvolvendo conhecimentos, técnicas e o próprio trabalho. Foi nosso primeiro modo de produzir o mundo — tal qual nossa imagem. (Sempre fomos nosso espelho). Para buscar um nome mais científico, trata-se do modo de produção pré-histórico. O homem pré-histórico não faz política, mas conhece o poder, quer seja construtivo, quer seja destrutivo. Por isso, desde aquela época estamos a brandir punhos e cabeças.
O segundo modo de produção poderia ser designado de produção da técnica propriamente dita e do trabalho intencional, em que está presente uma consciência latente, nascente de certas técnicas de produção e de trabalho sobre o natural. Este já é o mundo do saber, mas de um saber ainda engajado empiricamente à vida: um conhecimento baseado unicamente na base da tentativa e erro.
Por sua vez, este modo de produção coincide com o Mito de Prometeu: o mito de que o homem sempre trabalhou para produzir a vida social. É também o mundo do primeiro conhecimento: “conheces a ti mesmo e às tuas necessidades vitais”. Em uma definição mais lírica ou metafórica, então, diríamos que este é o modo de produção prometêico.
Neste segundo modo ou mundo de produção, não só se trabalha como se tem consciência do trabalho. Sempre é bom recordar: Prometeu é o patrono do trabalho. Porém, não só se tem consciência da necessidade do trabalho, como se desenvolvem os primeiros conhecimentos técnicos da produção.
Talvez coincidisse com a passagem da pedra lascada para a pedra polida, mas de qualquer forma já temos aí a pedra polida, e isto é mais do que prova do conhecimento técnico aplicado à produção. Contudo, ressalte-se que sempre se tratou da produção da vida e da morte: tanto do trabalho, quanto da guerra.
Portanto, o fogo trazido por Prometeu moldou, forjou os elementos naturais e nos alertou para a vida social, transformando-os em novos elementos artificiais, técnicos, intencionais, modificacionais. Assim, também nasceu nossa consciência maquínica (entre trabalho e técnica), uma consciência de nós mesmos e do entorno social e histórico só possível graças ao uso da técnica — pois que este já é o mundo artificial. Coincide com a primeira fase da consciência maquínica. E por força dessa consciência maquínica, a vida natural, aleatória, foi transformada, modificada por Prometeu e pelos seus súditos (todos nós, nossa espécie) que a revolucionaram, impondo-se outros termos: a consciência maquínica forjou, tecnicamente, a vida social.
Nesta fase de Prometeu, trata-se de um conhecimento engajado, mas não meramente instrumental, alienado, como hoje em dia, pois até ali os homens dominavam os meios de produção, controlando assim a própria vida social. Isto, é claro, dirimia o estranhamento e a reificação, porque o controle dos meios de produção da vida ainda eram determinados ou pelos indivíduos ou pelo grupo como um todo, se pensarmos na formação de gens e de clãs. Só se conhecia, basicamente, o valor de uso e não o valor de troca e a acumulação.
Prometeu, com a simbologia do fogo, tornou a natureza um meio quente e esse meio quente do trabalho e da produção é o mundo social de que falava Marx. Em Marx, vemos então, os traços bem delineados e definidos do que ele chamara de os primeiros modos de produção. Para nós, o chamado modo de produção oriental ou asiático será o segundo modo de produção:
A finalidade deste trabalho não é a criação de valor, embora eles possam realizar trabalho excedente de modo a trocá-lo por trabalho estrangeiro ao grupo, isto é, por produtos excedentes alheios. Seu propósito é a manutenção do proprietário individual e sua família, bem como a comunidade como um todo [...] a vida nômade é a primeira forma de sobrevivência [...] Portanto, a comunidade tribal, o grupo natural, não surge como conseqüência, mas como a condição prévia da apropriação e uso conjuntos, temporários, do solo [...] A comunidade tribal espontânea, ou, se preferirmos dizer, a horda (laços comuns de sangue, língua, costumes, etc.) constitui o primeiro passo para a apropriação das condições objetivas de vida, bem como da atividade que a reproduz e lhe dá expressão material), tornando-a objetiva (vrgegenstandlichenden) (atividade de pastores, caçadores, agricultores, etc.). A terra é o grande laboratório , o arsenal que proporciona tanto os meios e objetos do trabalho como a localização, a base da comunidade. As relações do homem com a terra são ingênuas : eles se consideram como seus proprietários comunais, ou seja, membros de uma comunidade que se produz e reproduz pelo trabalho vivo (Marx, 1991, pp. 66-67).
Já muito além de Prometeu, nesta fase posterior, há mais ou menos 13 mil anos, o homem deixava de ser coletor e caçador para ser agricultor e pastor. Como vimos, é o período chamado de Neolítico, em que, de fato, encontravam-se em conjunção a arte, a técnica e a política (Lévy-Strauss, 1989).
Desse modo, em suma, 2001 — Uma odisséia no espaço nos revela uma fascinante viagem pelo longo processo de hominização: uma minúscula parte que representamos neste texto. Porém, como nos diz Marx, este início da história humana é de fundamental importância para que compreendamos a nós mesmos, a fim de entender em profundidade o significado do estar vivo, ou ainda de acordo com Marx.: “A primeira condição de toda história humana é, naturalmente, a existência de seres humanos vivos” (Marx, 2002, pp. 10-21-22-23). Garantir a vida, portanto, foi nosso primeiro ato histórico.
Mais especificamente, também pudemos ver a função do desenvolvimento técnico ao longo do processo civilizatório: fenômeno que só foi possível graças ao chamado polegar espalmado, permitindo-nos realizar o movimento de pinça.
Porém, uma outra leitura que se pode fazer do filme todo, mas que abordaremos em outro momento, é perceber como todo o enrendo do filme nos mostra o longo processo de formação da racionalidade que habita o núcleo do chamado desencantamento do mundo (Weber). Mas esta é outra viagem...
Bibliografia
ÉSQUILO. Prometeu Agrilhoado. Lisboa: Edições 70, 2001.
LÉVI-STRAUSS, C. O Pensamento Selvagem. Campinas, SP : Papirus, 1989.
MARX, K. & ENGELS, F. A Ideologia Alemã. São Paulo : Martins Fontes, 2002.
MARX, Karl. Prefácio à Contribuição à Crítica da Economia Política. 3ª ed. São Paulo : Martins Fontes: 2003, pp. 03-08.
______ Formações Econômicas Pré-capitalistas. 6ª ed. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1991.
NETO, Ricardo Bonalume. Fóssil traça elo entre ancestrais humanos. Folha de São Paulo, 13 abr. 2006. Caderno A, p. 16.
SOTTOMAYOR, Ana Paula Quintela. Introdução, tradução e notas. IN : ÉSQUILO. Prometeu Agrilhoado. Lisboa: Edições 70, 2001.
UOL. Cientistas descobrem região do cérebro responsável pela leitura. http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2006/04/25/ult1809u7988.jhtm, 25/04/2006.
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