Dedicatória por e-mail: Ou como aprender com gestos simples
Ninguém passa dez horas sem nada aprender
Paracelso
O breve texto a seguir é resultado de muitas coisas interessantes que ocorreram em um curto prazo de tempo. Em síntese, fiz um concurso público e na prova escrita foi sorteado um tema bem genérico. Portanto, como de hábito, nesses casos, escreve-se bastante. Ao retornar ao hotel alguns itens da redação não me saiam da cabeça e, como se sabe, nessas ocasiões, o melhor é despachar o quanto antes, isto é, escrever. Foi o que fiz, em garranchos de pouca precisão. Depois, li, reli, mexi e acolá, e achei que seria possível digitar para depois disponibilizar um conteúdo minimamente aproveitável: http://www.gobiernoelectronico.org/node/6434. Mas, para tanto, era preciso digitar e estava dividido entre ler e fazer o trabalho. Foi aí que procurei as moças da recepção do Hotel Rio Poty (Piauí-Brasil) para saber da empreitada. Naquele momento só estava presente a bela e simpática Adriana. Também como de hábito, muito sorridente e meiga, disse-me que não fazia esse trabalho de digitação, mas pediu-me para falar com a Danielle, a outra igualmente bela e atenciosa recepcionista. Custou um pouco, mas consegui levar os originais à moça — que, no mesmo dia, à noite, já me enviava por e-mail. Tudo pronto, no dia seguinte retornei à Universidade para outra fase de avaliação. Foi quando pensei em dar-lhe um livro de presente, e ali estava Paulo Freire: o tema de minha prova. Voltei com o livro e lhe entreguei — era véspera do meu retorno e Danielle queria uma dedicatória (Adriana ganhou um chocolate). No dia do meu regresso, lembrou-se que havia esquecido o livro em casa, porque já começara a ler. Foi quando me cobrou que enviasse uma mensagem por e-mail. Por fim, dois dias depois da minha partida, enviei-lhe algumas poucas palavras por e-mail, talvez, mais como parte das recordações dos meus melhores dias, nos últimos dez anos.
O mais curioso é que no dia anterior à realização da prova, ainda no Hotel, havia acabado de ler uma espécie de dedicatória do próprio Paulo Freire. Ali, entre tantas mensagens, um trecho ficou na memória, tanto que usei na prova escrita — e diz assim:
“Não te esperarei na pura espera
Porque o meu tempo de espera é um
Tempo de quefazer”
Quando terminei a releitura, confesso que emocionado, tentei interpretar mais “academicamente” o breve recorte. Com isso, anotei que “é incrível como podemos aprender com epígrafes, dedicatórias, agradecimentos. É porque nos esquecemos que também fazem parte da obra, especialmente quando se trata da nossa obra. Por exemplo, já se escreveu de Paulo Freire, em apresentação de livro, que ele desenvolve uma crítica, crescentemente, concisa”. Enfim, é esta a dedicatória por e–mail que segue abaixo:
"Muita gente diz que a cultura é nossa segunda pele. Se for mesmo, o livro
também é.
Diria ainda que é uma mediação entre pessoas e mundos (escritos ou vividos). Uma mediação sobre suas roupas, unindo mentes e esperanças - principalmente a de
se (re)verem.
Mas, se o livro é cultura e pele, então, pode muito bem unir sob as roupas,
apenas sobre as peles.
Acho que um bom livro nos faz sonhar, mas sonhar o possível e em conjunto. O livro une os envolvidos numa só cultura, numa só pele, sem roupa que nos esconda.
O bom livro nos revela, após sua leitura, porque saímos dele melhores, nus ou
com a pele que nossa alma refugiava.
Saímos do bom livro sem roupagem, despidos de preceitos e de preconceitos (eu, com minha deficiência física; você com essa negritude linda que só existe no Brasil).
Minha querida amiga Danielle, que me atrevo a chamar de Dani - e que não sei se tem olhos azuis ou verdes -, é assim que quero que pense em mim e neste livro aberto que nos aproximou com uma ponte da vida.
Um grande beijo de saudade.
Vinício - Marília/SP - set.08".
Um amigo me disse que viu aí um silogismo — Prof. Edemir de Carvalho, da UNESP/Marília. Mas, o que é silogismo?
Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός) é uma "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός. Um raciocínio lógico formal, estruturado em três composições: premissa maior, premissa menor e conclusão. Exemplo: "todos os homens são mortais" (premissa maior), "sou homem" (premissa menor), "logo, sou mortal" (conclusão).
Depois, disse-me que, por silogismo, pensava “no estilo que adiciona um pouco de caminho, como diz o caboclo. Aí é que reside a observação: o tom poético (a intenção no subterfúgio) que escapa da comunicação mais direta...”.
Isto ainda me lembrou da metáfora dos gregos, pois quer dizer exatamente transporte... isso aí que o caboclo dizia. E olha que uma coisa puxa a outra, leva à outra: na véspera da prova final, fui almoçar no shopping e não deixaria de passar pela livraria. Lá comprei um Manuel Bandeira, Libertinagem & Estrela da Manhã.
Não está na citação acima que se trata de um tom poético? Pois então, o Bandeira tem uma Poética:
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
[...] Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
[...] Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
[...] Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
[...] Não quero mais saber do lirismo que não é libertação
Por isso, penso mesmo que podemos aprender com as dedicatórias — ele viu um sinal, você pode ver outro.
Aliás, a epígrafe deste artigo, emprestada de outro livro, é um belo exemplo de como e de quanto aprendemos (ou não), pois já dizia Paracelso: Ninguém passa dez horas sem nada aprender.
Enfim, de tudo, aprendi que nada paga o fato de conhecermos pessoas, de abrirmos nossa mente para ver o que elas têm de melhor a nos oferecer.
Vinício C. Martinez
Doutor em Educação pela FEUSP (2001). É doutorando em Ciências Sociais pela UNESP/Marília (2006), participa do grupo de pesquisa CEPAE – linha de pesquisa: “Direito educacional e direito à educação” e é professor substituto na UNESP/Marília, 2008: vicama@uol.com.br.
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